A psicologia que não pensa

Sei que há muitos profissionais da psicologia que pensam, mas este texto é sobre aqueles que não pensam, algumas formas de psicologia que despontam seja por uma simplificação das teorias ou por cairem numa abordagem meramente tecnicista...

Desde que conclui o curso de psicologia, em 2005, tenho reparado muitos profissionais se encaminhando para uma tendência cada vez mais tecnicista, simplista e menos reflexiva ou questionadora: o aumento de uma psicologia que não pensa.

Atualmente, há uma psicologia mista de senso comum, moralidade, religião e auto ajuda que aparece em redes sociais, além disso há abordagens que partem de uma concepção pronta de ser humano, supondo entender muito bem seu funcionamento, apresentando técncas para "tratar" os sofrimentos e os "problemas".

Porém, estas se esquecem que o ser humano é complexo e atravessado por um contexto político, econômico e social, reduzindo tal complexidade em técnicas e frases de efeito. A experiência humana não se resume em teorias pois está sempre se transformando, de modo que há sempre algo mais a se conhecer.

Mas com as teorias explicativas, as técnicas e autoajudas, cada vez mais psicólogas e psicólogos pensam menos. Além disso, pouquíssimos são aqueles que questionam ou problematizam sua atuação - a grande maioria acaba apenas repetindo métodos e teorias sem questionar.

Se esquecem de algumas questões fundamentais, como:

-Qual o intuito da psicoterapia?
-Para que e para quem serve a psicologia?
-Qual sua noção de saúde emocional, doença, desequilíbrio ou anormalidade?
-Qual a concepção de ser e mundo de sua teoria?
-Qual o lugar do "anormal" na sociedade?
-Quais as implicações subjetivas, sociais e políticas da atuação?
-A psicologia é acessível? Qual? A quem?
-Que tipo de ser humano e sociedade sua teoria supõe (ou propõe)?
-A psicologia favorece novos modos de vida ou facilita o ajustamento?

É importante lembrar que a psicologia se apresenta como um ramo "neutro" da saúde, mas sua atuação tem implicações políticas e sociais. Há uma grande diferença entre a psicologia que mantém as coisas tal como estão e uma prática que questiona e problematiza a atuação.

Cada teoria em psicologia propõe um modo de vida e de relações, pois envolve uma concepção de ser humano e de mundo, inclusive do que é entendido por adequado ou inadequado, por saudável ou doentio, mas muitos não se não se dão conta disso.

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