Crítica à noção de "eu" em David Hume

David Hume foi um filósofo escocês empirista do século XVIII, que se aproximou do ceticismo. Segundo ele, todo conhecimento parte das experiências e impressões sensoriais, rejeitando a noção de que existem ideias inatas ou conceitos universais.

Hume criticou a noção de causalidade como uma relação necessária entre eventos, sugerindo que é uma inferência baseada em experiências passadas, sustentada pela memória. Sua obra mais destacada foi "Uma Investigação sobre o Entendimento Humano", publicada em 1748, onde apresenta sua teoria do conhecimento a partir da perspectiva empirista.

Foi muito cético com relação à noção de "eu", ou identidade pessoal, colocando em questão a existência de uma identidade substancial e permanente. Ele entendia que não existe uma identidade unificada e constante, mas apenas percepções, emoções, pensamentos e sensações em constante mudança.

Neste sentido, não há um "eu" que seria a fonte de nossas experiências. Para ele, a experiência humana acontecia enquanto um feixe de percepções e impressões, conectadas por associações de ideias. A ideia de "eu" supõe uma continuidade ou unidade dessas experiências, mas essa noção é apenas uma ficção criada por nossa mente, não uma realidade objetiva.

A ideia de "eu" surge de uma tendência ilusória de nosso pensamento visando atribuir continuidade e unidade às percepções, buscando uma identidade coesa e permanente. Ele entendia que a mente era composta por uma sucessão de percepções distintas, conectadas por associações de ideias.

Portanto, não possuímos um "eu", mas apenas pensamentos, sentimentos e percepções. Não há nada substancial ao qual estas percepções pertencem, e inclusive não há nenhuma impressão que permaneça a mesma durante toda a vida.

"A imaginação ou o pensamento é um fluxo de impressões, mas que se passa de tal modo que, não raro, dá margem para que se possa falar daquilo que é descontínuo e fugaz. Essa falsa continuidade gera a noção de 'algo permanente' - a substância. Além disso, todas as impressões ditas internas, também sendo agrupadas dessa mesma forma, gerariam a substância enquanto um eu."
(Marconi Pequeno, em '10 lições sobre Hume')

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